A Pandemia Covid -19 e as crianças
- multiclic
- 26 de mar. de 2021
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A pandemia por COVID-19 trouxe importantes desafios à sociedade e às famílias, com uma repercussão no comportamento, desenvolvimento infantil e saúde mental das crianças, cuja dimensão ainda não conhecemos na totalidade.
Os efeitos na saúde mental das crianças derivam de vários fatores: das preocupações face à própria doença e incertezas sobre o contágio e letalidade, bem como das medidas instituídas para minimizar os seus impactos, como o isolamento e o distanciamento social.
No início da pandemia, as creches e as escolas fecharam de um dia para o outro, voltando a fechar aquando do segundo confinamento, forçando à interrupção do convívio das crianças entre si e com os educadores, e obrigando-as a ajustarem-se, de forma abrupta, às novas regras e realidades.
Sabemos que o contacto físico e a socialização são fundamentais para o bem-estar de todo o ser humano, mas as crianças são particularmente vulneráveis porque mudanças nefastas no ambiente podem condicionar negativamente o seu desenvolvimento social, cognitivo e emocional.
Efeitos da COVID-19 nas crianças
Um estudo realizado na China, em fevereiro de 2020, (Dong Y., Xi M., Hu Y., Xin Q., Jiang F., Jiang Z., Tong S., 2020) avaliou os efeitos imediatos da pandemia no desenvolvimento psicológico de crianças e adolescentes. Os problemas emocionais e comportamentais mais frequentes foram:
distração
irritabilidade
medo de que os elementos da família fossem contaminados
dependência excessiva dos familiares
Além disso, existiram casos de:
perturbação do sono e pesadelos
falta de apetite
sintomas físicos
agitação
A repercussão da pandemia pode ser ainda mais preocupante em crianças que sofrem de doenças do foro mental e do desenvolvimento. As mudanças súbitas da rotina diária têm consequências e podem potenciar sintomas já existentes, aumentando o risco de complicações emocionais, comportamentais e do relacionamento.
A permanência em casa e a limitação das atividades ao ar livre podem agravar as características de agitação e impulsividade das crianças com Perturbação de Défice de Atenção e Hiperatividade. No caso das Perturbação do Espetro do Autismo, o isolamento social pode levar a um aumento do risco de condutas disruptivas e dificuldade no relacionamento com os pares.
As crianças com necessidades educativas especiais podem necessitar de suporte adicional para se adaptarem às novas rotinas e para compreenderem as mudanças. Os jovens mais suscetíveis podem desenvolver sintomas de ansiedade, depressão e, em alguns casos, comportamentos obsessivo-compulsivos relacionados com a higiene e desinfeção.
Efeitos do novo Coronavírus na educação e relações sociais
O encerramento das escolas originou um grave prejuízo pedagógico, apesar de todos os esforços que foram realizados para que a aprendizagem continuasse mesmo à distância.
As crianças mais novas necessitam de experiências mais concretas e interativas para consolidar os conhecimentos e as aulas digitais são muitas vezes insuficientes.
Por último, as crianças com dificuldades de aprendizagem, que necessitam de apoio diferenciado e de maior envolvimento das escolas e famílias, podem ser mais afetadas.
Passar tempo com os pares, particularmente sem a supervisão do adulto, é essencial para o bem-estar das crianças. Desde o início da pandemia, as relações sociais, as partilhas, o contacto físico e as brincadeiras entre pares têm sido limitadas. A pandemia forçou o encerramento dos parques infantis e diminuiu as festas e oportunidades de convívio habituais. Os jovens irão passar menos tempo a realizar atividades recreativas como desporto, artes e música, potenciando-se sentimentos de solidão e isolamento.
O que fazer para minimizar o impacto da pandemia no desenvolvimento das crianças?
· Afeto: Demonstrar carinho e sensibilidade às manifestações da criança, ajuda a construir um ambiente em que os mais pequenos se sentem aceites e protegidos. Entenda que, em situações particularmente tensas, a criança pode revelar comportamentos diferentes do habitual. As suas reações de birra, agitação ou carência não são um desafio ao adulto, mas sim uma resposta a essa vivência, sendo essencial ajudá-la a entender essa relação e tranquilizá-la. Nunca desvalorize as reações de medo ou ansiedade. Elogie sempre as boas atitudes.
· Comunicação: Esclarecer as dúvidas da criança é fundamental. Procure passar com ela tempo de qualidade e estabelecer um diálogo baseado na verdade, respeitando a sua maturidade e compreensão. Deixe a criança falar e expor o que a preocupa.
· Brincadeira: A brincadeira e o jogo são formas de a criança organizar e dar sentido ao mundo. Crie em casa uma rotina que permita fortalecer os laços familiares. Leitura, desenho, jogos de tabuleiro, brincadeiras e auxílio nas tarefas domésticas são algumas atividades possíveis. Estimule as atividades físicas e ao ar livre. Permita que a criança mantenha laços afetivos com amigos e familiares, sempre de acordo com as normas de segurança, através, por exemplo, de meios virtuais.
A Psicóloga
Ângela Pinto









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