Ansiedade na Escola: O que é? O que fazer?
- multiclic
- 26 de nov. de 2020
- 2 min de leitura
Antes de mais, é importante distinguir aquilo a que chamo a “ansiedade boa” da “ansiedade má”, ou seja, a ansiedade adaptativa da ansiedade clinicamente significativa. Todos nós, em determinadas situações, experienciamos ansiedade e ainda bem. E ainda bem porquê?
Vou dar um exemplo: se tivermos uma prova dentro de poucos dias e não pensarmos nas consequências de não nos prepararmos e não ficarmos um pouco ansiosos, vamos ignorar que precisamos de nos preparar, o que poderá significar um mau resultado. Essa ligeira ansiedade faz com que nos adaptemos à situação e, por consequência, leva-nos a prepararmo-nos para a prova. Por outro lado, se a ansiedade impede ou condiciona a nossa vida normal, se nos paralisa e/ou incomoda durante grande parte do tempo, então estamos perante uma ansiedade clinicamente significativa.
A ansiedade clinicamente significativa na infância pode ocorrer em diferentes situações ou contextos. Neste artigo, vou focar-me na ansiedade de desempenho, mais especificamente desempenho escolar. A ansiedade de desempenho escolar é a ansiedade excessiva e frequente nos testes, exames, nas idas ao quadro, na resposta às questões colocadas oralmente pelo professor, apresentação de trabalhos, entre outras atividades escolares.
Quais são os sintomas? Podemos dividir os sintomas em diferentes categorias: físicos, cognitivos, emocionais e comportamentais.
Sintomas físicos: transpirar de forma excessiva, corar, gaguejar, respiração acelerada, tensão muscular, coração acelerado, mãos e pernas a tremer.
Sintomas cognitivos: pensamentos como “não sou capaz”, “vai correr tudo mal”, “vou ser envergonhado pelos colegas e pelo professor”, “sou um falhado”.
Sintomas emocionais: tristeza, medo, frustração.
Sintomas comportamentais: evitamento das situações de avaliação e, no limite, rejeitar ir às aulas; procurar a perfeição; isolamento; procrastinação das atividades.
Um outro sinal a que devemos estar atentos, é o facto de frequentemente a criança apresentar resultados nas provas escolares muito abaixo do que seria esperado, tendo em conta o conhecimento que demonstra ter noutras situações (nomeadamente na realização de exercícios em casa, nas aulas, etc). Isto acontece porque, com elevados níveis de ansiedade, a criança está menos concentrada e poderá até “bloquear” e esquecer o que aprendeu.
O que fazer? Como ajudar as crianças que sofrem desta ansiedade?
Se sente que o seu filho poderá sofrer com este tipo de ansiedade, é importante pedir ajuda a um/a psicólogo/a, de modo a que este/a faça uma avaliação da situação e intervenção adequada ao caso.
Em contexto de intervenção clínica, é importante que se tente perceber a razão pela qual a criança começou a desenvolver esta ansiedade excessiva. Além de intervir com a criança individualmente, é de extrema importância intervir igualmente junto do contexto familiar e escolar.
De uma forma geral, deixo algumas sugestões:
- Não desvalorizar os sintomas, dando atenção ao que a criança verbaliza e às preocupações que apresenta, tentando manter a calma enquanto o faz;
- Valorizar o esforço da criança em detrimento dos resultados escolares;
- Evitar comparações relativamente aos resultados escolares dos irmãos, colegas e outras pessoas.
A Psicóloga,
Telma Lameira







Comentários