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Já ouviu a voz do seu filho?

  • Foto do escritor: multiclic
    multiclic
  • 12 de jan. de 2020
  • 3 min de leitura

A disfonia infantil consiste numa alteração na qualidade vocal das crianças, que pode apresentar, entre outros sintomas, rouquidão, voz fraca, cansaço ao falar e voz demasiado fina ou grossa. Estas alterações prejudicam negativamente a comunicação, o desempenho social e afetivo, condicionando a participação das crianças nas atividades diárias (Takeshita, Aguiar-Ricz, Isaac, Ricz, & Anselmo-Lima, 2009).


A disfonia é comum e pode ter diversas causas, que variam desde alterações no funcionamento das estruturas fonoarticulatórias, como nódulos nas cordas vocais, até causas mais graves e com risco de vida, como os tumores (Melo, Mattioli, Brasil, Behlau, Pitaluga, & Melo, 2001). Os nódulos são a etiologia mais comum e estão relacionados com abusos vocais e fatores psicoemocionais (Melo, Mattioli, Barsil, Behlau, Pitaluga, & Melo, 2001; Rosa, Santos, Freitas, Carvalho, Oliveira, & Susa, 2007). Nestes casos, muitas vezes os pais admitem que a criança utiliza de forma exagerada e inadequada a voz e caraterizam o filho como ansioso, agitado e hiperativo.


Apesar dos impactos da disfonia no dia a dia, a maioria dos cuidadores vê as alterações como um processo normal do desenvolvimento infantil, o que constitui uma grande barreira na intervenção atempada (Melo, Mattioli, Barsil, Behlau, Pitaluga, & Melo, 2001; Paixão, Silvério, Berberian, Mourão, & Marques, 2012; Rosa, Santos, Freitas, Carvalho, Oliveira, & Susa, 2007). Mesmo após o diagnóstico é possível verificar-se pouco interesse dos cuidadores e até mesmo de algumas crianças na intervenção, uma vez que nem sempre notam a interferência das alterações vocais na rotina. Estudos comprovam ainda que, muitas vezes, são os pais e educadores que dão modelos vocais inadequados (como falar alto e depressa), o que influência negativamente a formação do padrão vocal da criança. (Paixão, Silvério, Berberian, Mourão, & Marques, 2012)

Os locais que as crianças frequentem diariamente, jardins de infância e escolas, são considerados propícios à realização de abusos vocais que conduzem à alteração na qualidade vocal, uma vez que nestes contextos estão expostas a ruídos que induzem à competição vocal; poeiras que secam e irritam a laringe; modelo vocal inadequado dos educadores, como já referido; e à participação em atividades ao ar livre, onde o controlo vocal é difícil (Takeshita, Aguiar-Ricz, Isaac, Ricz, & Anselmo-Lima, 2009).



Face ao exposto, considerando a dificuldade dos cuidadores em identificar as alterações vocais, os fatores predisponentes e perpetuantes e as consequências da disfonia na vida da criança, torna-se importante consciencializá-los acerca deste diagnóstico e orientá-los para fornecerem modelos vocais adequados. 

Orientações para pais e professores/educadores:


- Ouvir atentamente a criança quando quer falar;

- Orientar a criança a olhar para o interlocutor e que esperar pela sua vez para falar; 

- Falar com intensidade normal e devagar, para que a criança tenha um modelo vocal adequado;

- Não usar o grito para chamar a criança nem outras pessoas, para que a criança não adopte este hábito;

- Incentivar a criança a beber água regularmente à temperatura ambiente;

- Não fornecer à criança bebidas demasiado quentes ou frias;

- Evitar que a criança beba sumos e bebidas gaseificadas;

- Incentivar o consumo de maçãs, uma vez que possui propriedades que ajudam na limpeza da boca e da faringe;

- Evitar ambientes ruidosos, para que a criança não tenha de competir com o ruído;

- Evitar ambientes com ar condicionado e poluídos (fumo, pó…), uma vez que estes secam e irritam a laringe; 

- Corrigir posturas inadequadas da criança e utilizar roupa confortável. 


Para além do mencionado, é ainda fulcral que quando os pais notam que a voz dos seus filhos está diferente, e que quando volta ao normal piora novamente, consultem um médico Otorrinolaringologista e um Terapeuta da Fala. Estes dois profissionais em conjunto podem avaliar as crianças, detetar a causa da disfonia a indicar o tratamento mais indicado em cada caso. Importa ainda salientar que na intervenção terapêutica é crucial que os pais e as crianças sejam incluídos de forma ativa e assumam o compromisso  de adoptar os cuidados de saúde vocal aconselhados no dia a dia. 

Vânia Vale

Terapeuta da Fala




Referências bibliográficas 

Melo, E. M., Mattioli, F. M., Brasil, O. C., Behlau, M., Pitaluga, A. C., & Melo, D. M. (Novembro de 2001). Disfonia infantil: aspectos epidemiológicos. Rev. Bras. Otorrinolaringol, 67 (6).

Paixão, C. L., Silvério, K. C., Berberian, A. P., Mourão, L. F., & Marques, J. M. (julho-agosto de 2012). DISFONIA INFANTIL: HÁBITOS PREJUDICIAIS À VOZ DOS. CEFAC, 14 (4), pp. 705-713.

Rosa, F., Santos, M., Freitas, S. V., Cravalho, I., Oliveira, J., & Sousa, C. A. (junho de 2017). Disfonia infantil: A experiência de um centro. REVISTA PORTUGUESA DE OTORRINOLARINGOLOGIA E CIRURGIA CÉRVICO-FACIAL, 55, pp. 87-91.

Takeshita, T. K., Aguiar-Ricz, L., Isaac, M. d., Ricz, H., & Anselmo-Lima, W. (2009). Comportamento Vocal de Crianças em Idade Pré-escolar. Arq. Int.Otorrinolaryngol, 13(3), pp. 252-258.

 
 
 

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