O PORQUÊ DO MEDO?
- 15 de jan. de 2018
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O meu filho tem medo da trovoada, medo de estar sozinho! Parece ter medo de tudo! Será normal? Devo procurar ajuda? Quase todas as crianças atravessam períodos nos quais experienciam medo de determinadas situações ou objectos. Existem medos que fazem parte do desenvolvimento normativo, que tal como aparecem também desaparecem espontaneamente. No entanto, alguns medos que surgem na infância podem permanecer a vida toda. O desafio dos pais é acalmar e permitir que o filho enfrente receios reais e imaginários.O medo surge quando nos sentimos em perigo, como sinal de alerta, permitindo-nos realizar a avaliação de uma situação que poderá ser ameaçadora, evitando que se corram riscos desnecessários. A ausência do medo, em certas idades, pode até ser preocupante, por exemplo, uma criança que não desenvolve o medo da altura, pode gatinhar até a beira da cama e cair.
Existem medos mais predominantes em determinadas faixas etárias, como por exemplo:0-12 Meses: Ruídos fortes e inesperados e medo do desconhecido.2-4 Anos: Barulhos altos como a trovoada e outros fenómenos da natureza. Medo do escuro, de estar sozinho, de alguns animais e de seres imaginários.5 anos: Separação dos pais, animais, ladrões e máscaras.6 anos: Separação dos pais. Seres sobrenaturais – monstros, bruxas. Trovoadas. Dormir ou ficar sozinho e do escuro.7 e 8 anos: Seres sobrenaturais. Escuro. Ficar sozinho. Filmes, notícias ou informações transmitidas pela comunicação social.Medo de dormir sozinho e medo da morte.9 aos 12 anos: Medos relacionados com a escola: exames, professores, insucesso escolar. Aparência física: acne, gordura. Tremores de terra. Morte. Conflitos entre os pais. Na infância os medos são muito frequentes, mas variam de criança para criança, de acordo com as suas particularidades e com os seus contextos de vida.
A idade da criança permite-nos perceber se o seu medo é ou não normativo. Apesar do medo poder ser típico da idade, não deve ser ignorado muito menos ridicularizado. Outra atitude que não deve ser adoptada consiste na superprotecção da criança, uma vez que este comportamento a faria pensar que de facto existe perigo.Para ajudarmos a criança a superar o seu medo, os pais devem falar abertamente dele, explicando-lhe o que se passa com o seu corpo (coração bate mais rápido, pernas a tremer, entre outros sintomas), o que diminuirá a intensidade do medo. Poderão ser reforçadas e relembradas outras situações em que a criança teve medo e o conseguiu superar. Será importante que o próprio adulto assuma que também sente ou já sentiu medo, e que todos temos medo de algo!
Nas situações em que o medo causa sofrimento na criança, ou quando interfere com o contexto familiar, social, escolar ou lúdico é necessário uma abordagem e acompanhamento profissional especializado, de forma a não condicionar o processo de desenvolvimento e de socialização da criança.
Assim, os pais devem estar atentos à existência de sintomas físicos (batimento cardíaco acelerado, suores, dificuldade em respirar, vómitos, diarreia, dores de estômago), sintomas cognitivos (preocupações em torno do medo, dificuldade de concentração), alterações de humor (irritabilidade) e alterações no sono (pesadelos, dificuldades em dormir, sono agitado).





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