"Pais felizes, crianças felizes"
- multiclic
- 3 de out. de 2019
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A parentalidade positiva é uma estratégia educativa que tem por base o respeito mútuo entre pais e filhos. Muitas vezes pensamos “Eu sou tua mãe e tu tens de me respeitar”, mas eles não nascem a conhecer a noção de respeito. A noção ganha-se quando eles vêm que os pais os respeitam e os vêm respeitar os outros. Às vezes somos nós os primeiros a falar torto e a sermos agressivos com as crianças. Existindo o respeito mútuo, segundo a parentalidade positiva, não é necessário utilizar o castigo, bater, ameaçar ou humilhar.
A parentalidade positiva corresponde então a um comportamento parental que se baseia no melhor interesse da criança, tendo em vista a sua capacitação e a satisfação das suas necessidades principais, sem recurso à violência.
Parentalidade positiva significa então fazer tudo o que a criança quer? Claro que não. Fundamentalmente existem três estilos parentais: o autoritário, onde se utiliza o bater, o castigo, a ameaça, a humilhação; existem muitas regras, mas quando são colocadas não é tido em consideração aquilo que a criança quer, a sua opinião ou as suas necessidades. A criança não é ouvida nesse processo. É tudo muito rígido. Do lado oposto temos o estilo parental permissivo. Onde há muito carinho e afeto, os pais vão ao ao encontro das necessidades dos seus filhos, mas depois falham na questão das regras e dos limites. Até podem existir, mas acabam por não ser monitorizados. Entre estes dois estilos, encontra-se a parentalidade positiva. Há o carinho, afeto, amor, comunicação positiva e bidirecional, mas também há regras e limites. Estes são importantíssimos para estabelecer uma relação de estabilidade e confiança com a criança, mas sobretudo de segurança. Se construirmos uma relação de respeito com a criança, mais facilmente conseguimos obter dela cooperação. E não simples obediência. E no fundo é isso que nós queremos. Aí é muito mais fácil colocar as regras e os limites, porque ela faz parte do processo.
Na parentalidade positiva não se aplicam os castigos e as palmadas? Os chamados castigos encaixam-se mais no estilo de parentalidade autoritária. Na parentalidade positiva não se sente os castigos, mas sim as consequências. No castigo não há uma relação lógica entre aquilo que a criança faz e o que acontece a seguir. Por exemplo, a criança recusa-se a comer os vegetais. Então não vê televisão — isto é um castigo. Se optarmos pela consequência, a criança recusa-se a comer os vegetais, então não há sobremesa. Os acontecimentos devem estar relacionados. Por exemplo, o seu filho parte o vidro de um vizinho. A solução não será proibir de ir para a rua ou não andar mais de bicicleta. Uma consequência poderá ser ir à mesada ou semanada dele e pagar a despesa. Nas consequências há uma lógica, enquanto no castigo uma coisa não tem nada a ver com outra.
A atenção positiva é uma das bases da parentalidade positiva. Estudos revelam que quanto mais atenção damos a um comportamento, seja ele positivo ou negativo, maior é a probabilidade de ele se manter ou até aumentar a sua frequência. Normalmente, os pais focam mais os comportamentos desadequados dos filhos em detrimento dos ajustados. Se estivermos mais focados nos comportamentos positivos, se dermos atenção, carinho, se elogiarmos, reconhecermos o esforço da criança, maior a probabilidade de este aumentar. Por vezes a criança até vai por sua iniciativa pôr a mesa, até faz os trabalhos de casa sem instrução para tal, e nós acabamos por não validar isso, fazendo com que a força desse comportamento se perca.
Em suma, é importante que os pais e educadores adotem práticas parentais consistentes e compreendam quais estratégias utilizar, com vista a reduzir as dificuldades em lidar com determinados comportamentos e situações. Acima de tudo, deverão usufruir de todo o processo de crescimento dos filhos, em que a promoção do seu equilíbrio e bem-estar físico, psicológico, social e emocional seja a base para o sucesso.
Algumas das estratégias que poderão ser adotadas:
1. Ser realistas em relação às capacidades da criança e não criar demasiadas expetativas sobre si, permitindo-lhes lidar com os seus próprios erros e gerir as frustrações que daí advêm.
2. Ensinar à criança que o seu mau comportamento lhe trará as devidas consequências ou, por outro lado, que o comportamento adequado virá acompanhado do elogio, reforço positivo e recompensa (se assim os pais entenderem).
3. Não menos importante, e focando também nas dimensões da autoestima e autoconfiança, os pais deverão encorajar a resolução de problemas de forma autónoma, evitando ser demasiado permissivos ou rigorosos, o que trará à criança sentimentos positivos relacionados com a sua autoeficácia e capacidade para lidar com os obstáculos com que se depara.
4. Ao nível da expressão das emoções, os pais devem manter a escuta ativa, partilhar o que estão a sentir e incentivar, também, a criança a fazê-lo de forma livre, permitindo-lhe identificar esses sentimentos, preferencialmente sem fazerem críticas ou julgamentos e evitando uma postura rígida ou de autoridade.
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Ângela Pinto e Susana Costa







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